Introdução à economia
Sumário
Esta é uma resenha dos primeiros capítulos do livro Introduçào à Economia (Krugman e Wells, 2007) da disciplina de Fundamentos Econômicos do Mestrado Profissional em Administração da Fundação Pedro Leopoldo
Capítulo 26
Poupanças, gastos de investimento e sistema financeiro
O tunel debaixo do Canal da Mancha, o Channel Tunnel, aka Chunnel, teve $15 bilhões em investimentos. $4 bilhões vieram da venda de ações públicas e $12 bilhoes de empréstimos bancários. Os sistemas financeiros canalizam fundos para projetos de investimentos em fontes de crescimento.
Casando poupança e investimento
Capital humano é em grande parte fornecido pelo governo através da educação pública. Capital físico é criado principalmente através do investimento privado através de poupança.
Há duas fontes de poupança: a doméstica, criada pelos residentes no país, e a externa, vinda da interação com o resto do mundo.
A identidade poupança-gasto de investimento
Fato contábil: identidade poupança-gasto de investimento, ou poupança é igual a gastos de investimentos, independente de ser economia fechada ou aberta.
PIB é igual ao gasto dos Consumidores, mais gasto em Investimento, mais compras Governamentais, mais exportações menos Importações.
Economia fechada
Rearranjando para uma economia fechada (sem interações extrangeiras):
Poupança privada (Savings) é igual a renda disponível (renda das famílias mais Transferências governamentais menos Tributos menos Consumo):
Poupança governamental ou superávit/déficit orçamentário é igual aos Tributos menos Transferências governamentais menos compras Governamentais
Juntando [3] e [4], para construir a poupança nacional (Nacional Savings)
Vemos que [2] e [5] são idênticos ou Gasto de investimento é igual a poupança nacional em uma economia fechada:
Economia aberta
Entrada de capital (K-pital Input) é igual a entrada total de fundos estrangeiros (Importações) menos a saída total de fundos domésticos (exportações).
Rearranjando [1] para uma economia aberta em oposição a [2]
Usando [5] temos que Gastos de Investimentos é igual a Poupança Nacional mais entrada de capital:
Em entrada de capital negativa, a poupança nacional está financiando gastos de investimentos no exterior. Em uma entrada de capital positiva, gastos de investimento são financiados por poupança de estrangeiros.
O mercado de fundos para empréstimos
Demanda de crédito: Quanto mais baixa a taxa de juros, maior a quantidade de empréstimos demandada.
Oferta de crédito: Quanto mais alta a taxa de juros, maior a quantidade ofertada de fundos.
Um empreendimento receberá empréstimo quando a taxa de retorno for pelo menos igual a taxa de juros.
A taxa de juros de équilíbro é aquela onde a quantidade ofertada de fundos para empréstimo é igual à demandada.
Poupança, gasto de investimento e política governamental
Quando o governo tem um déficit orámentário, toma emprestado, causando um congestionamento no mercado de crédito ou crowding out. O governo consome a disponibilidade de crédito para o setor privado. A economia adiciona menos capital físico privado, levando a menor crescimento de longo prazo, quando tudo o mais mantido constante.
Quando se aumenta o imposto sobre vendas e reduz o sobre investimentos, a oferta de fundos aumentaria, levando a maior tomada de empréstimos privados e consequente crescimento de longo prazo.
O sistema financeiro
Mercados financeiros são onde as famílias investem sua poupança corrente e sua poupança acumulada, ou riqueza, comprando ativos financeiros ou ativos físicos.
Três tarefas do sistema financeiro
O sistema financeiro deve reduzir os problemas que devedores e credores se defrontam:
- custos de transação
- risco
- desejo de liquidez
Tipos de ativos financeiros
- empréstimo
- ações
- bônus
- depósitos bancários.
Empréstimos
É um acordo de crédito entre um credor e um devedor
Bônus
É uma promessa do vendedor de pagar juros a cada ano e amortizar o principal em uma data específica.
Ações
É uma participação na propriedade de uma companhia.
Intermediários financeiros
Instituição que transforma em ativos financeiros os fundos recebidos de muitos indivíduos
Fundos mútuos
É um intermediário financeiro que revende uma participação na carteira de ações.
Fundos de pensão e companhias de seguro de vida
Instituições sem finalidade de lucro que coletam a poupança de seus membros e investem esses fundos em ativos, oferecendo seus membros uma renda quando aposentam. São semelhantes os fundos mútuos.
Bancos
Quando se deposita, está emprestando ao banco, que mantém apenas parte dos empréstismos disponíveis a vista. A maioria destes depósitos são emprestados.
Flutuações financeiras
A demanda por ações
O valor de um ativo depende da expectativa do seu valor futuro ou preço futuro.
Os preços das ações são influenciados também pelo grau de atração dos substitutivos, como bônus.
Expectativas no mercado acionário
Hipótese dos mercados eficientes
Os preços dos ativos materializam toda a informação publicamente disponível. Desta forma os preços mudariam apenas em resposta a novas informações.
Mercados irracionais
Pode-se esperar sistematicamente que uma ação que subiu no passado continuará subindo. Investidores “racionais” podem comprar na baixa e vender na alta.
Os preços flutuam mais do que pode ser explicado por informações novas.
Preço da ações e macroeconomia
Formuladores de políticas publicas supõe que os mercados são eficientes e que qualquer informação disponível está incorporada aos preços das ações.
Também devem supor que comportamentos irracionais podem acontecer, impactando a macroeconomia.
Capítulo 27
Oferta agragada e demanda agregada
Choque de demanda: grande depressão, deflação, queda no nível de preços agregado. Crise de confiança que levou empresas e consumidores a gastarem menos.
Choque de oferta: crise dos 70, estagflação (estagnação com inflação e desemprego). Causada por eventos no Oriente Médio ue levaram a alta de preços do petróleo.
Oferta agregada
A curva de oferta agregada mostra a relação entre o nível de preços agregados na economia (nível geral de preços dos bens e serviços finais) e a quantidade total de bens e serviços finais (produto agregado) que os produtores estão dispostos a ofertar.
Curva de oferta agregada de curto prazo
Há uma relação postiva entre nível de preços agregado e quantidade de produto agregado ofertada. Um aumento no nível de preços agregado leva a um aumento na quantidade agregada de produto, tudo o mais mantido constante, como os custos de produção. Isso no curto prazo.
Deslocamento na curva de oferta agregada de curto prazo
Mudanças nos custos de produção influencia os lucros por unidade de produto.
- Mudanças nos preços de commodities
- Mudanças nos salários nominais (normalmente de reação lenta à demanda de trabalhadores)
- Mudanças na produtividade (tecnologia vs regulação)
Curva de oferta agregada de longo prazo
Salários são rígidos no curto prazo mas são renegociados no longo prazo.
O nível de preços agregado não tem efeito sobre a quantidade de produto agregado ofertada, pois no longo prazo, mudanças proporcionais ocorrem em todos os os insumos, inclusive salários.
Do curto prazo ao longo prazo
A economia está um de dois estados:
- simultaneamente na curva de oferta agregada de curto e longo prazo
- na curva de curto prazo e fora do longo prazo: a curva de curto prazo se deslocará até que ambas se cruzem, onde o produto agregado efetivo é igual ao produto potencial.
Demanda agregada
Mostra a relação entre o nível de preços agregado e a quantidade de produto agregado demandada pelas famílias, as empresas, o governo e o resto do mundo.
Não tem relação com a lei de demanda individual: quando um produto aumenta de preço, só sua demanda cai, pois seu consumo é transferido para outro.
A curva de demanda agregada considera uma mudança simultânea nos preços de todos os bens e serviços.
Efeito riqueza
Um aumento no nível de preços agregado, reduz o poder de compra dos ativos.
Efeito taxa de juros
Em resposta a um aumento no nível de preços agregado, o público aumenta a quantidade de dinheiro que mantém, vendendo ativos ou tomando mais emprestado. Isso reduz os fundos disponíveis para empréstimo e por isso pressiona a taxa de juros para cima que por sua vez reduz o consumo.
Deslocamento na curva de demanda agregada
Mudanças nas expectativas
Gastos de consumo ou de investimento dependem das expectivas para com o futuro. Os gastos são baseados não só na renda atual mas na expectativa de melhor renda futura. Se há otimismo, gastos aumentam. Se há pessimismo, gastos diminuem.
Mudanças na riqueza
Gastos de consumo dependem do valor dos ativos das famílias. Se os ativos caem, a demanda agregada cai
Mudanças no estoque de capital físico
Empresas gastam menos com investimento em capital físico a medida que adiquirem mais.
Políticas governamentais e demanda agregada
Política fiscal
O efeito das compras governamentais sobre a curva de demanda agregada é direto. Ao contrário, mudanças nos impostos influenciam a renda disponível.
Política monetária
Quando os bancos centrais aumentam a quantidade de dinheiro em circulação, as pessoas têm mais dinheiro levando a tomar menos emprestado e a disponibilizar mais para ser emprestado, o que pressiona a taxa de juros para baixo, aumenta os gastos de investimento e de consumo.
O multiplicador
Propensão marginal a consumir é igual à variação no gasto de consumo relacionada com a mudança na renda disponível. Ou seja, o quanto uma mudança na renda disponível influenciará o gasto no consumo.
Propensão marginal a poupar é a porção restante
A mudança autônoma no gasto agregado é o aumento ou queda inicial no gasto agregado antes do PIB real alterar.
O multiplicador, que indica o múltiplo que o PIB aumentará a partir do aumento no gasto de investimento, é obtido da relação entre a mudança autônoma no gasto agregado (AAS) e a mudança total no PIB real (Y).
Política Macroeconômica
A economia é autocorretiva no longo prazo, que se acredita ser uma década ou mais. Políticas governamentais são relevantes para reduzir a severidade da recessão e controlar expansões excessivamente rápidas.
Capítulo 29
Política Fiscal
Durante os anos 90 o governo japonês gastou certa de $1,4 trilhão em infra-estrutura. A principal finalidade dos gastos era sustentar a demanda agregada. É um exemplo de política fiscal discricionária.
Política fiscal: noções básicas
O setor público na Suécia representa quase 60% da economia. O governo dos Estados Unidos desempenha um papel menor do que os governos do Canadá e da maioria dos países europeus.
Impostos, compras de bens e serviços, transferências governamentais e empréstimos ao governo
Fundos fluem para dentro do governo na forma de impostos e tomada de empréstimos. Fluem para fora na forma de compras governamentais e transferências às famílias.
Nos Estados Unidos os impostos federais são o imposto de renda e de previdência social. Os estaduais e locais incluem impostos sobre a venda, sobre a propriedade e sobre rendas e taxas de vários tipos. As transferências correspondem a três grandes programas: previdência social, renda para os mais velhos, deficientes e pensionistas, além de programas menores como seguro-desemprego e vale-refeição; medicare, programa de saúde para os mais de 65 anos; medicaid, programa de saúde para os de baixa renda.
Orçamento público e despesa total
PIB é igual ao gasto dos Consumidores, mais gasto em Investimento, mais compras Governamentais, mais exportações menos Importações.
Renda disponível é igual a Renda total menos Impostos mais Transferências Governamentais
Desta forma, um aumento de impostos reduz a renda disponível que por sua vez, tudo o mais mantido constante, leva a uma queda nos gastos de consumo.
Política fiscal de expansão ou contração
O governo pode procurar deslocar a curva de demanda agregada para fechar um hiato de recessão através de uma política fiscal expansionista:
- Aumento nas compras governamentais
- Corte de impostos
- Aumento de transferências, como seguro-desemprego
Ou um hiato inflacionário através de política fiscal contracionista:
- Reduzindo compras governamentais
- Aumentando impostos
- Reduzindo transferências
Nota de advertência: defasagens na política Fiscal
Uma tentativa de aumentar as despesas públicas para combater um hiato de recessão pode levar tanto tempo que este pode já haver se tornado um hiato de inflação. Neste caso a política fiscal irá piorar a situação.
Política fiscal e o multiplicador
Uma política expansionista desloca a curva de demanda agregada para direita. A contracionista, para a esquerda. O multiplicador indica o quanto a curva é deslocada.
Efeito multiplicador de um aumento nas compras governamentais de bens e serviços
Um aumento das compras governamentais levarão às empresas fornecedoras uma receita maior, que também fluirá para as famílias. Esse aumento de renda levará a um aumento de consumo, que induzirá as empresas a aumentar a produção.
Em um modelo onde não há impostos nem comércio internacional, qualquer mudança no PIB real vai para as famílias e o nível de preços agregado e taxa de juros constantes, o multiplicador é MPC sendo propensão margina a consumir. O aumento nas compras governamentais é um aumento autônomo no gasto agregado
Multiplicador das mudanças em transferências governamentais e impostos
Uma mudança nas transferências governamentais ou impostos desloca a curva de demanda agregada menos que uma mudança igual nos gastos governamentais. Em geral:
Como os impostos afetam o multiplicador
A arrecadação de impostos aumenta quando o PIB real sobe. Como consequência, o mulplicador é reduzido. Ou mais pessoas recebem ajuda governamental quando a economia está deprimida. Isto é chamado de estabilizadores automáticos.
O balanço orçamentário
O balanço orçamentário como medida de política fiscal
Poupança do governo (Savings) é igual a receita *T*ributária menos *G*astos governamentais menos *Tr*ansferências.
Tudo mantido constante, políticas expansionistas reduzem o balanço orçamentário levando a déficit orçamentário. Políticas contracionistas aumentam, levando a superávit.
Ressalva-se:
- Mudanças nas compras governamentais têm um efeito maior na demanda agregada que mudanças nos impostos ou transferências
- Mudancas no balanço orçamentário são resultado e não causa de flutuações na economia.
Ciclo econômico e balanço orçamentário ciclicamente ajustado
Devido aos estabilizadores automáticos o orçamento tende a ser deficitário durante recessões e superavitário durante expansões. Para separar o efeito do ciclo econômico de outros fatores, estima-se o balanço orcamentário se não houvesse nem recessão nem inflação. O balanço orçamentário ciclicamente ajustado é uma estimativa se o PIB real fosse exatamente igual ao produto potencial.
O orçamento deve ser equilibrado?
Um orçamento equilibrado todo ano sabotaria o efeito dos impostos e transferências como estabilizadores automáticos. Receita em queda leva a déficit. Uma regra de equilíbrio forçaria o governo a politicas contracionistas, o que agravaria a recessão.
Implicações de longo prazo da política fiscal
Déficits, superávits e dívida
Ainda que o governo tenha gerado um déficit, isto não significa necessariamente que a dívida é de mesmo valor. Enquanto o primeiro é uma medida do saldo de um período, o segundo situa-se num ponto específico.
Problemas devido a uma dívida pública crescente
Quando o governo toma emprestado fundos nos mercados financeiros, ele está competindo com firmas que pretendiam financiar gastos de investimento. A tomada de empréstimos pelo governo congestina o mercado de crédito (crowding out), reduzindo a taxa de crescimento de longo prazo.
Déficits orçamentários implicam em aumento da dívida, que exercerá pressão sobre os orçamentos futuros.
Tudo mais constante, um governo que paga grandes somas de juros de sua dívida, tem que arrecadar mais ou diminuir gastos ou fazer mais empréstimos, levando a default, ou moratória, o que abala a confiança em um país, levando a uma recessão ainda mais severa.
Passivos implícitos
São promessas de gastos feitas pelo governo que são de fato o mesmo que uma dívida. Nos EUA, os maiores são a previdência social, Medicare e Medicaid. O governo precisa fazer pagamento aos beneficiários atuais bem como tem uma promessa para os futuros.
Capítulo 32
Mercado de trabalho, desemprego e inflação
Em qualquer dado momento, existe uma fração da população que está desempregada. Alguns acabaram de ser demitidos, outros acabaram de entrar para a força de trabalho e ainda não acharam o emprego. O tamanho desta rotação natural depende do estado da economia.
A natureza do desemprego
A taxa de desemprego é a razão entre o número de pessoas desempregadas e o total de peossoas na força de trabalho, que consiste tanto nas que estão trabalhando quanto as que estão procurando emprego.
Somente aqueles que estão ativamente procurando emprego são contados como desempregados.
Criação e destruição de emprego
A constante rotação da força de trabalho é uma característica inevitável da economia moderna, mesmo quando a economia está em nível de pleno emprego.
Desemprego friccional
É o desemprego que se deve ao tempo que os trabalhadores gastam na busca de emprego. É inevitável porque:
- Há sempre novos trabalhadores entrando no mercado de trabalho e iniciando sua busca.
- O constante processo de criação e destruição de emprego.
A economia é mais produtiva quando os trabalhadores tomam algum tempo para encontrar empregos adequados às suas qualificações. Quando a taxa de desemprego é baixa, os períodos de desemprego tendem a ser bastante curtos, indicando que muito do desemprego é friccional.
Desemprego estrutural
Existe mesmo que o número de desempregados seja igual ao número de empregos ofertados. Pode haver um excedente persistente de pessoas procurando emprego em um mercado de trabalho específico.
O desemprego estrutural ocorre quando o nível de salário é persistentemente superior ao salário de equilíbrio entre oferta e demanda de trabalho. Pode ser causado por salários mínimos, sindicatos, salários de eficiência e efeitos colaterais de políticas públicas.
Salário mímínimos
Para muitos empregos, o salário mínimo é irrelevante pois o salário de equilíbrio de mercado está bem acima deste piso.
Um salário mínimo legalmente exigido pode fechar oportunidades de trabalho para aqueles dispostos a trabalhar por salários menores.
Um salário mínimo mais alto que o salário médio para uma categoria pode levar ao desemprego estrutural.
sindicatos
Ações de sindicatos podem ter efeitos similares aos do salário mínimo.
Contratos de longo prazo, negociados pelos sindicatos, levam a desemprego estrutural. Se a demanda de trabalho está caindo e os contratos de salários ainda não venceram, isso leva a que haja mais trabalhadores dispostos a trabalhar pelo salário negociado do que empregos disponíveis oferecendo este salário.
Salário de eficiência
Um empregador que paga tão pouco quanto possível arrisca perder seus melhores empregados e reter os menos qualificados.
Os empregados que recebem salários de desempenho tendem a manter estes níveis elevados de dedicação para não sofrem redução em caso de demissão.
Quando muitas firmas pagam salários acima do equilíbrio de mercado, resulta em trabalhadores que não encontram estas vagas.
Efeitos de políticas públicas
Benefícios para desempregados podem reduzir o incentivo do trabalhador a buscar um novo emprego.
Taxa natural de Desemprego
O desemprego friccional é inevitável e o estrutural é comum. A taxa natural de desemprego é a taxa normal em torno da qual flutua o desemprego de fato.
Mudanças na taxa natural de Desemprego
Nem a taxa natural nem o desemprego cíclico são valores constantes, mas mudam ao longo do tempo.
Mudanças nas características da força de trabalhado
Taxas de desemprego tendem a ser mais baixas para trabalhadores com experiência pois estes tendem a permanecer mais tempo no mesmo emprego, o que significa menor desemprego friccional.
Nos anos 70 o grande aumento dos novos trabalhadores, seja pelo baby-boom ou pela entrada das mulheres, implicou num aumento da taxa natural de desemprego.
Mudanças nas instituições do Mercado
Fortalecimento de sindicatos, mudanças tecnológicas.
Mudanças nas políticas governamentais
Salário mínimo acima do salário médio aumenta o desemprego estrutural. Benefícios para os desempregados aumentam a taxa natural de desemprego.
Treinamentos de trabalhadores e subsídios ao emprego reduzem a taxa natural.
Mudanças de produtividade
O aumento da taxa natural de desemprego nos anos 70 e 90 esteve associada a uma desaceleração do crescimento.
Desemprego e ciclo econômico
A taxa natural de desemprego muda ao longo do tempo, porém gradualmente. A taxa de desemprego efetiva flutua ao redor da taxa natural, refletindo mudanças no desemprego cíclico, que por sua vez refletem flutuações no produto agregado durante o ciclo econômico. Normalmente sobe durante recessões e cai durante expansões.
O hiato de produto e a taxa de Desemprego
Produto potencial é o nível de PIB real que a economia produziria se todos os preços estivessem ajustados.
No modelo de oferta-demanda agregadas, um hiato de recessão surge quando o produto agregado efetivo é menor que o produto pontencial. Um hiato de inflação surge quando o produto agregado efetivo excede o produto potencial.
- Quando o produto agregado efetivo é igual ao produto potencial, a taxa de desemprego efetiva é igual a taxa natural de desemprego.
- Quando o hiato de produto é positivo (inflação), a taxa de desemprego fica abaixo da taxa natural. Quando negativo (recessão), a taxa de desemprego fica acima da taxa natural.
A lei de Okun
A taxa de desemprego correspondem à flutuações no PIB real no longo prazo, porém são bem menores que as flutuações no hiato de produto. Arthur Okun estimou que um aumento de 1 ponto percentual n PIB real acima do produto potencial levaria a uma queda na taxa de desemprego de 1/3.
Estimativas modernas indicam que:
Porque o mercado de trabalho não se move rapidamente para o equilíbrio
Enquanto a maior parte dos mercados se movem rapidamente para o equilíbrio, no mercado de trabalho os salários se comportam de modo diferente dos preços de bens e serviços. Salários não diminuem rapidamente diante de excedentes de trabalho nem aumentam rapidamente diante da escassez.
Percepções enganadas
Uma teoria é de que o trabalhador procura um emprego baseado em níveis passados. Pode estar procurando por salários elevados não realistas. Isso contribui para um ajustamento lento dos salários, bem como para um aumento na taxa de desemprego.
Igualmente as empresas baseam suas decisões em informações antigas. Assim se oferece salários abaixo do nível de equilíbrio corrente, terá dificuldade em contratar.
Salários rígidos
Outra teoria é que o ajuste de salários é vagaroso pois está definido por contratos de longo prazo, formais ou não, o que pode defasá-os com a realidade econômica corrente.
As empresas também relutam em reduzir salários por temer perderem empregados.
Desemprego e inflação: a curva de Phillips
A curva de Phillips de curto prazo
No curto prazo, quando a taxa de desemprego é alta, o nível de salários tende a cair. Short Range Phillips Curve SRPC
Uma taxa de desemprego baixa corresponde a uma economia em que há escassez de trabalho e outros recursos, levando a salários crescentes.
Expectativas inflacionárias e curva de Phillips de curto prazo
A taxa de inflação experada afeta o trade-off de curto prazo entre desemprego e inflação.
Os salários procurados serão mais altos se a inflação esperada for alta. E o empregador estará mais disposto com aumento de salários se achar que contratá-los no futuro será mais caro.
Assim, um aumento na inflação esperada desloca a curva de Phillips de curto prazo para cima.
A curva de Phillips de longo prazo
Uma vez que a curva de Phillips de curto prazo é deslocada para cima por uma expectativa de inflação maior, a próxima expectativa incorporará a taxa de inflação anterior, deslocando a curva novamente para cima.
Assim, uma tentativa de reduzir o desemprego baixo ao custo de aumentar a inflação leva a uma aceleração da inflação
Para evitar esta aceleração da inflação, a taxa de desemprego tem de ser alta o bastante para que a taxa de inflação efetiva corresponda à taxa de inflação esperada.
Esta taxa de desemprego que mantém estável a inflação é conhecida por NAIRU (non accelerating inflation rate of unemployment).
Taxas de desemprego abaixo da NAIRU levam a uma inflação que se acelera constamente.
A curva de Phillips de longo prazo, LRPC (long range Phillips curve) é vertical na medida da NAIRU.
Taxa natural de desemprego revisitada
A NAIRU é outro nome para a taxa natural de desemprego. É a taxa que a economia precisa a fim de evitar uma aceleração da inflação.
Capítulo 33
Inflação, desinflação e deflação
Moeda e inflação
Moeda e preços revisitados
No curto prazo, um aumento na oferta de moeda aumenta o PIB real ao reduzir as taxas de juros e estimular os gastos de investimentos e de consumo.
No longo prazo, à medida que salários nominais e outros preços rígidos aumentam, o PIB real cai para seu nível original.
Assim, no longo prazo, qualquer aumento na oferta de moeda não muda o PIB real. No entanto, leva a um aumento igual no nível geral de preços, inclusive salários nominais e bens intermediários.
Quando o nível geral de preços aumenta, aumenta também o nível de preços agregados.
No modelo clássico do nível de preços, onde a moeda M/P está sempre no nível de equilíbrio de longo prazo, os efeitos das mudanças na oferta de moeda são analisados como se as curvas de oferta agregada de curto e longo prazo fossem verticais.
No entanto, quando a inflação é baixa, pode demorar para que trabalhadores e empresas reajam a uma expansão monetária. Aqui, salários e preços são rígidos no curto prazo. Há uma curva de oferta agregada de curto prazo com inclinação para cima e mudanças na oferta de moeda mudam o PIB real no curto prazo.
Nos períodos de alta inflação, trabalhadores e empresas aumentam preços e salários rapidamente em resposta a oferta monetária. Assim a curva de oferta agregada de curto prazo se desloca para a esquerda mais rapidamente e há um retorno mais rápido ao equilíbrio de longo prazo. Por isso o modelo clássico do nível de preços tem melhor aproximação da realidade.
O imposto inflacionário
As economias modernas usam moeda fiat, pedaços de papel que não tem valor intrínseco, mas são aceitos como meio de troca, que são impressos por um banco central com um certo grau de independência política.
O Tesouro emite dívida para financiar as compras governamentais e o Banco Central monetiza a dívida criando moeda e comprando a dívida de volta do público.
O direito de imprimir moeda é em si mesmo fonte de receita. É conhecido como senhoriagem que remete ao direito de cunhar ouro e prata em moeda e cobrar uma comissão por isso.
Ao imprimir moeda para pagar suas contas o governo aumenta a quantidade de moeda em circulação. E este aumento se traduz em aumentos de igual montante no nível de preços agregado. Assim, imprimir dinheiro para cobrir o déficit orçamentário e cria inflação.
Quem termina pagando pelo dinheiro que o governo cria são as pessoas que mantem o dinheiro porque a inflação corrói o poder de compra da moeda que mantem. Assim, o governo impõe um imposto inflacionário ao criar inflação através da criação de moeda ao reduzir o valor da moeda mantida pelo público.
A lógica da hiperinflação
Diante da inflação elevada, o público reduz a quantidade de moeda que mantém. Por sua vez, o governo gera uma taxa de inflação mais alta para manter o imposto inflacionário real para cobrir seu déficit. E as pessoas respondem à nova taxa de inflação reduzindo ainda mais a quantidade de dinheiro real que mantêm.
Efeitos da inflação
A inflação aumenta os preços recebidos pelas firmas o que determina as rendas pagas na economia.
Ganhadores e perdedores da inflação inesperada
O que importa é como a inflação efetiva se compara com a inflação que os devedores e credores esperavam quando firmaram seus contratos.
Inflação esperada e taxa de juros
Efeito Fisher: A taxa de juros real esperada não é afetada por mudanças na inflação esperada. A inflação esperada pressiona a taxa de juros nominal linearmente. As pessoas baseiam suas decisões nas suas expectativas da taxa de juros real. Dado que a inflação afeta a taxa de juros real, a inflação esperada tem um forte efeito sobre a taxa de juros nominal.
Custos da inflação
A inflação antecipada impõe custos à economia.
Custos de sola de sapato
Uma reação típica à inflação são o maior número de transações a fim de comprar a mesma quantidade de bens e serviços, o que pode significa idas mais frequentes ao banco.
Mais pessoas ocupadas em gerar mais transações significa menos pessoas na cadeia produtiva.
Custos de menu
Alterar preços com muita frequencia tem um custo. A desvalorização intensa da moeda pode levar ao uso de uma referência substituta mais estável, como outra moeda.
Com a tecnologia, custos de menu são menores pois os preços podem ser mudados eletronicamente.
Custos de unidade de conta
Devido a inflação, a moeda torna-se um unidade de medida menos confiável na medida que um dólar hoje vale menos que há um ano.
Em muitas economias, o imposto progressivo de renda engloba cada vez mais pessoas nas faixas superiores.
Do ponto de vista do empresário, o lucro é considerado sobre o custo de reposição em relação ao valor de venda, no entanto a receita cobra impostos com base na diferença entre o custo de aquisição e de revenda.
A taxa ótima de inflação
A maioria dos bancos centrais tem como meta uma inflação ligeiramente positiva pois acreditam que a política monetária tem melhor capacidade de reação quando o público espera uma inflação modesta do que quando espera ausência de inflação.
Inflação moderada e desinflação
Causas da inflação moderada
Um político procurando ganhar uma eleição pode forçar o desemprego abaixo da taxa natural, levando a aumentos subsequentes na inflação esperada.
O problema da desinflação
Uma busca por uma taxa de desemprego abaixo da taxa natural leva a uma aceleração da inflação. Para reduzir a inflação que está incorporada às espectativas, os responsáveis pela economia precisam adotar políticas contracionistas para colocar a taxa de desemprego acima da natural por um período prolongado. Esse processo é conhecido como desinflação.
Embora a economia não recupere as perdas de produtividade causadas pela desinflação, ela deixará de sofrer com outros custos associados a uma inflação alta.
Uma política de desinflação clara e com credibilidade pode reduzir as expectativas de inflação futura e trazer a curva de Phillips de curto prazo para baixo.
Choques de oferta
Um choque de oferta que aumenta o desemprego pode impossibilitar o combate à inflação através de políticas contracionistas.
Efeitos da deflação inesperada
Tal como a inflação inesperada, prejudica e privilegia em direções opostas. Os credores ganham porquem o valor real que recebem aumenta. Os devedores perdem porque a carga real de sua dívida aumenta.
A deflação pode piorar um declínio econômico ao retirar recursos reais dos devedores. A deflação reduz a demanda agregada, aprofundando a recessão, o que leva a mais deflação. É conhecido como deflação de dívida.
Efeitos da deflação esperada
São o inverso da inflação esperada: leva a uma taxa de juros nominal mais baixa e um aumento da demanda por moeda. A taxa de juros nominal tem uma fronteira zero, que pode limitar a eficácia da política monetária.
Uma armadilha da liquidez ocorre quando há uma redução muito aguda na demanda de fundos para empréstimo o que força a taxa de juros à fronteira zero.